Ah, vou!

Quando eu for velho,
Se um dia eu ficar velho:

Vou ostentar cabelos sem tintura.
Vou usar óculos de leitura.
Vou me banhar e cheirar bem.
Vou usar roupa limpa também.
Vou cortar o cabelo e me barbear.
Vou escovar os dentes e a prótese.
Vou me cuidar em qualquer hipótese.

Quando eu for velho,
Se um dia eu ficar velho;

Vou aceitar cada limitação:
Não sou atleta nem garotão.
Vou usar bom senso e sabedoria,
Sem qualquer mofada teoria.
Vou cultivar nostalgia e saudade
Sem o apego sombrio da idade.
Vou esquecer melindres e mágoas:
Sejam todas já passadas águas.

Quando eu for velho,
Se um dia eu ficar velho;

Vou distribuir amor e simpatia
Vou levar só felicidade e alegria.
Quando eu for a algum lugar,
Alguém anseie para eu chegar.
Vou viver tranquilo, sem pressa.
Um dia tudo passa, a vida cessa.
Mas, por que eu vou ter medo?
Aos 73 anos ainda é cedo.

Quando eu for velho,
Se um dia eu ficar velho…

O autor, Dr. Geovah Paulo da Cruz é médico oftalmologista e membro da Sobrames Sociedade Brasileira de Médicos Escritores. (geovahcruz@uol.com.br)

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